O que Bengel expôs, tanto sobre a transposição destes dois versículos quanto sobre a autoridade do versículo controvertido — em parte no seu 'Gnomon', em parte no 'Apparatus Criticus' —, satisfará abundantemente qualquer pessoa imparcial. Porque três são os que testificam — Literalmente, testificando, ou dando testemunho. O particípio é posto em lugar do substantivo 'testemunhas', para indicar que o ato de testificar e o seu efeito estão continuamente presentes. Propriamente, só pessoas podem testificar; e o fato de três serem descritos testificando na terra, como se fossem pessoas, serve elegantemente às três pessoas que testificam no céu. O Espírito — Na palavra, confirmada por milagres. A água — Do batismo, na qual somos dedicados ao Filho (com o Pai e o Espírito), tipificando sua pureza imaculada e a purificação interior de nossa natureza. E o sangue — Representado na Ceia do Senhor e aplicado à consciência dos crentes. E estes três concordam harmoniosamente num só — Em dar o mesmo testemunho: que Jesus Cristo é o divino, o completo, o único Salvador do mundo.
Nota do editor
Wesley, seguindo Bengel, defendia a autenticidade da 'Vírgula Joanina' (1Jo 5.7-8), posição comum em seu tempo. A crítica textual posterior, com base nos manuscritos gregos mais antigos, considera o trecho acréscimo tardio — por isso a NAA o traz apenas em nota. A nota de Wesley permanece valiosa como testemunho histórico de sua teologia trinitária.