Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Apocalipse 1

Referências: 1.11.21.31.41.51.61.71.81.91.101.111.12-131.141.151.161.171.181.191.20

Apocalipse 1.1 §

Nota de John Wesley

A Revelação — Propriamente assim chamada, pois coisas antes cobertas são aqui reveladas, desveladas. Nenhuma profecia do Antigo Testamento traz este título; ele foi reservado, no Novo, somente para esta. É como que um manifesto, no qual o Herdeiro de todas as coisas declara que todo poder lhe foi dado no céu e na terra, e que ao fim exercerá gloriosamente esse poder, a despeito de toda a oposição de todos os seus inimigos. De Jesus Cristo — Não 'de João, o Divino': título acrescentado em eras posteriores. É certo que a designação 'o Divino' não entrou na igreja, muito menos foi afixada ao apóstolo João, senão muito depois da era apostólica. Foi João, de fato, quem escreveu este livro; mas o seu autor é Jesus Cristo. Que Deus lhe deu — Segundo a sua santa humanidade glorificada, como o grande Profeta da igreja. Deus deu a revelação a Jesus Cristo; Jesus Cristo a fez conhecida aos seus servos. Para mostrar — Esta palavra reaparece em Ap 22.6; e em muitos lugares as partes deste livro se remetem umas às outras. Toda a sua estrutura respira a arte de Deus, compreendendo, no mais acabado compêndio, as coisas por vir — muitas e variadas; próximas, intermediárias, remotas; as maiores e as menores; terríveis e consoladoras; antigas e novas; longas e breves — entretecidas entre si, opostas, compostas, relacionadas a pequena e a grande distância; e por isso, por vezes, como que desaparecendo, interrompidas, suspensas, para depois reaparecerem inesperada e oportunissimamente. Em todas as suas partes há admirável variedade com a mais exata harmonia, belamente ilustrada pelas próprias digressões que parecem interrompê-la. Assim exibe a multiforme sabedoria de Deus brilhando na economia da igreja através de tantas eras. Aos seus servos — Muito se compreende neste título: é grande coisa ser servo de Jesus Cristo. Este livro é dedicado particularmente aos servos de Cristo nas sete igrejas da Ásia, mas sem excluir todos os seus outros servos, em todas as nações e eras. É uma única revelação, e contudo suficiente para todos eles, desde o tempo em que foi escrita até o fim do mundo. Serve tu ao Senhor Jesus Cristo em verdade: assim aprenderás o seu segredo neste livro; sim, e sentirás no coração se este livro é divino ou não. As coisas que em breve devem acontecer — As coisas contidas nesta profecia começaram a cumprir-se pouco depois de dada; e do todo se pode dizer que acontece em breve, no mesmo sentido em que Pedro diz: 'O fim de todas as coisas está próximo', e o próprio Senhor: 'Eis que venho sem demora'. Há neste livro rico tesouro de todas as doutrinas relativas à fé e à santidade; mas estas são também entregues em outras partes da Escritura, de modo que a Revelação não precisaria ter sido dada por causa delas. O desígnio peculiar deste livro é mostrar as coisas que devem acontecer. E é isso que devemos ter especialmente diante dos olhos sempre que o lemos ou ouvimos. E ele — Jesus Cristo. Enviou e as significou — Mostrou-as por sinais ou emblemas: é o que a palavra grega propriamente significa. Pelo seu anjo — Chamado no decorrer do livro 'o anjo de Deus' (Ap 17.1; 21.9; 22.6,16). Ao seu servo João — Título dado a nenhuma outra pessoa isoladamente em todo o livro.

Nota do editor

Note que o próprio Wesley sublinha: 'as coisas contidas nesta profecia começaram a cumprir-se pouco depois de dada'. Essa observação abre espaço para o diálogo com a leitura preterista parcial, que vê boa parte do livro cumprida nos primeiros séculos, sem esgotar seu alcance na consumação final.

Temas: revelacaocristologia

Apocalipse 1.2 §

Nota de John Wesley

Que testificou — No livro que se segue. A palavra de Deus — Dada diretamente por Deus. E o testemunho de Jesus — Que ele nos deixou, como testemunha fiel e verdadeira. Tudo quanto viu — De maneira que constitui plena confirmação da origem divina deste livro.

Apocalipse 1.3 §

Nota de John Wesley

Feliz aquele que lê, e os que ouvem, as palavras desta profecia — Alguns trataram miseravelmente este livro; daí outros terem medo de tocá-lo e, desejando conhecer todas as demais coisas, rejeitarem somente o conhecimento daquelas que Deus mostrou. Perguntam por qualquer coisa, menos por isto — como se estivesse escrito: 'Feliz aquele que não lê esta profecia'. Não! Feliz aquele que lê, e os que ouvem e guardam as palavras dela — Especialmente neste tempo, quando parte tão considerável delas está a ponto de cumprir-se. Nem faltam auxílios para que qualquer investigador sincero e diligente entenda o que nela lê. O próprio livro é escrito da maneira mais exata possível: distingue as várias coisas de que trata por sete cartas, sete selos, sete trombetas, sete taças, cada um desses setes dividido em quatro e três. Muitas coisas o próprio livro explica: as sete estrelas, os sete candelabros, o Cordeiro com seus sete chifres e sete olhos, o incenso, o dragão, as cabeças e chifres das bestas, o linho fino, o testemunho de Jesus. E muita luz vem de compará-lo com as profecias antigas e com as predições dos outros livros do Novo Testamento. Neste livro o Senhor compreendeu o que faltava naquelas profecias quanto ao tempo que se seguiu à sua ascensão e ao fim da comunidade judaica. Assim, ele se estende da antiga Jerusalém à nova, reduzindo todas as coisas a uma só suma, na ordem mais exata, e com estreita semelhança com os antigos profetas: a introdução e a conclusão concordam com Daniel; a descrição do filho varão e as promessas a Sião, com Isaías; o juízo da Babilônia, com Jeremias; a determinação dos tempos, com Daniel; a arquitetura da cidade santa, com Ezequiel; os emblemas dos cavalos, candelabros etc., com Zacarias. Este livro é, portanto, não apenas a suma e a chave de todas as profecias que o precederam, mas também um suplemento de todas, estando os selos antes fechados. Contém, por consequência, muitos particulares não revelados em nenhuma outra parte da Escritura. Pouca gratidão a Deus têm, por uma revelação assim reservada para a exaltação de Cristo, os que ousadamente rejeitam tudo quanto aqui encontram que não foi revelado — ou não tão claramente — em outras partes da Escritura. Aquele que lê e os que ouvem — João provavelmente enviou este livro à Ásia por uma única pessoa, que o lia nas igrejas enquanto muitos ouviam. Mas isso também se refere, em sentido secundário, a todos os que devidamente o lerem ou ouvirem em todas as eras. As palavras desta profecia — É revelação, quanto a Cristo, que a dá; profecia, quanto a João, que a entrega às igrejas. E guardam as coisas nela escritas — Do modo que a natureza delas requer: com arrependimento, fé, paciência, oração, obediência, vigilância, constância. Convém a todo cristão, em toda oportunidade, ler o que está escrito nos oráculos de Deus; e ler este precioso livro em particular, frequente, reverente e atentamente. Porque o tempo — Do início do seu cumprimento. Está próximo — Já quando João escrevia. Quanto mais próximo de nós está o pleno cumprimento desta grave profecia!

Temas: escriturabem aventuranca

Apocalipse 1.4 §

Nota de John Wesley

João — A dedicatória deste livro está contida nos versículos 4 a 6; mas toda a Revelação é uma espécie de carta. Às sete igrejas que estão na Ásia — Aquela parte da Ásia Menor que era então província romana. Várias outras igrejas haviam sido plantadas ali; mas estas eram, ao que parece, as mais eminentes, e foi entre elas que João mais trabalhou durante sua permanência na Ásia. Nessas cidades havia muitos judeus, e os que dentre eles criam uniam-se aos crentes gentios numa só igreja. Graça a vós e paz — O favor de Deus, com todas as bênçãos temporais e eternas. Daquele que é, que era e que vem — Admirável tradução do grande nome JEOVÁ: ele era desde a antiguidade, ele é agora, ele vem, isto é, será para sempre. E dos sete espíritos que estão diante do seu trono — Cristo é aquele que 'tem os sete espíritos de Deus'. 'As sete lâmpadas que ardem diante do trono são os sete espíritos de Deus.' 'O Cordeiro tem sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus.' Sete era número sagrado na igreja judaica, mas nem sempre implicava quantidade precisa; às vezes deve ser tomado figuradamente, denotando completude ou perfeição. Por estes sete espíritos não se devem entender sete anjos criados, mas o Espírito Santo. Os anjos nunca são chamados 'espíritos' neste livro; e, quando todos os anjos se levantam, enquanto os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos adoram o que está assentado no trono e o Cordeiro, os sete espíritos nem se levantam nem adoram. A estes 'sete espíritos de Deus' estão subordinadas as sete igrejas a quem o Espírito fala tantas coisas, como também os seus anjos. Ele é chamado 'os sete espíritos' não quanto à sua essência, que é una, mas quanto às suas múltiplas operações.

Temas: trindadeespirito santo

Apocalipse 1.5 §

Nota de John Wesley

E de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra — Três gloriosos títulos lhe são dados aqui, e na ordem própria. Foi a testemunha fiel de toda a vontade de Deus antes da morte e na morte, e permanece tal na glória. Ressuscitou dentre os mortos como 'as primícias dos que dormem', e agora tem todo o poder no céu e na terra. É aqui chamado príncipe; mas logo adiante recebe seu título de Rei — sim, 'Rei dos reis e Senhor dos senhores'. A expressão 'os reis da terra' significa o poder e a multidão deles, e também a natureza do seu reino. Convinha à Majestade divina chamá-los reis com limitação, especialmente neste manifesto do seu reino celestial; pois nenhuma criatura, muito menos um homem pecador, pode levar o título de rei em sentido absoluto diante dos olhos de Deus.

Temas: cristologiarealeza de cristo

Apocalipse 1.6 §

Nota de John Wesley

Àquele que nos ama e que, desse amor livre e abundante, nos lavou da culpa e do poder dos nossos pecados com o seu próprio sangue, e nos fez reis — Participantes do seu reino presente e herdeiros do seu reino eterno. E sacerdotes para o seu Deus e Pai — A quem continuamente nos oferecemos como sacrifício vivo e santo. A ele seja a glória — Pelo seu amor e redenção. E o domínio — Pelo qual governa todas as coisas.

Temas: redencaosacerdocio

Apocalipse 1.7 §

Nota de John Wesley

Eis que — Neste versículo e no seguinte está a proposição e o sumário de todo o livro. Ele vem — Jesus Cristo. Em todo este livro, sempre que se diz 'ele vem', trata-se da sua vinda gloriosa. A preparação para ela começou na destruição de Jerusalém, e mais particularmente no tempo em que este livro foi escrito, e prossegue, sem interrupção alguma, até que aquele grande evento se cumpra. Por isso nunca se diz neste livro 'ele virá', mas 'ele vem'. E, contudo, não se diz 'ele vem de novo'; pois, quando veio antes, não veio como é próprio dele, mas 'em forma de servo'. Seu aparecimento em glória é propriamente a sua vinda: de maneira digna do Filho de Deus. E todo olho — Dos judeus em particular. O verá — Mas com que emoções diferentes, conforme o tenham recebido ou rejeitado! E os que o traspassaram — Estes, acima de todos: os que traspassaram suas mãos, pés ou lado. Tomé viu a marca dessas feridas mesmo depois da ressurreição; e as mesmas, sem dúvida, serão vistas por todos quando ele vier nas nuvens do céu. E todas as tribos da terra — A palavra 'tribos', no Apocalipse, sempre significa os israelitas; mas, quando outra palavra, como 'nações' ou 'povos', se lhe junta, implica também (como aqui) todo o restante da humanidade. Se lamentarão por causa dele — De terror e dor, se antes não lamentaram pelo verdadeiro arrependimento. Sim. Amém — Isso se refere a 'todo olho o verá'. Aquele que vem diz: Sim; aquele que o testifica: Amém. A palavra traduzida por 'sim' é grega; 'amém' é hebraica: pois o que aqui se diz respeita tanto ao judeu quanto ao gentio.

Nota do editor

Wesley situa o início da 'preparação' da vinda gloriosa na destruição de Jerusalém — ponto de contato com a leitura preterista parcial —, mas mantém o horizonte na consumação final, quando 'todo olho o verá'. As duas ênfases não se excluem: o juízo histórico de 70 d.C. antecipa e garante o juízo final.

Temas: segunda vinda

Apocalipse 1.8 §

Nota de John Wesley

Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus — Alfa é a primeira letra do alfabeto grego; Ômega, a última. Por mais que seus inimigos se vangloriem e se enfureçam no tempo intermediário, o Senhor Deus é o Alfa, ou princípio, e o Ômega, ou fim, de todas as coisas. Deus é o princípio, como Autor e Criador de todas as coisas, e como quem propõe, declara e promete coisas tão grandes; é o fim, como quem conduz todas as coisas aqui reveladas a uma conclusão completa e gloriosa. Além disso, o princípio e o fim de uma coisa designam, na Escritura, a coisa inteira. Portanto, Deus é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim: aquele que é todas as coisas e sempre o mesmo.

Temas: eternidadeatributos de deus

Apocalipse 1.9 §

Nota de John Wesley

Eu, João — A instrução e preparação do apóstolo para a obra são descritas do versículo 9 ao 20. Vosso irmão — Na fé comum. E companheiro na tribulação — Pois a mesma perseguição que o levou a Patmos empurrou-os para a Ásia. Este livro pertence de modo peculiar aos que estão sob a cruz. Foi dado a um desterrado; e os homens em aflição são os que melhor o entendem e saboreiam. Por isso foi pouco estimado pela igreja asiática depois de Constantino, mas altamente valorizado por todas as igrejas africanas, como o tem sido, desde então, por todos os filhos de Deus perseguidos. Na tribulação, e no reino, e na paciência de Jesus — O reino está no meio: é principalmente sob várias aflições que a fé obtém sua parte no reino; e quem participa deste reino não teme sofrer por Jesus (2Tm 2.12). Estava na ilha de Patmos — No reinado de Domiciano e de Nerva. E ali viu e escreveu tudo o que se segue. Era lugar peculiarmente próprio para essas visões: tinha diante de si, a pequena distância, a Ásia e as sete igrejas; seguindo para o oriente, Jerusalém e a terra de Canaã, e além, Antioquia e todo o continente asiático; a ocidente, os romanos, a Itália e toda a Europa, como que nadando no mar; ao sul, Alexandria e o Nilo com suas bocas, o Egito e toda a África; ao norte, a que depois se chamaria Constantinopla, no estreito entre Europa e Ásia. Tinha assim diante dos olhos as três partes do mundo então conhecido, com toda a cristandade — vasto teatro para todas as várias cenas que diante dele passariam; como se aquela ilha tivesse sido feita principalmente para servir de observatório ao apóstolo. Por pregar a palavra de Deus foi desterrado para lá, e pelo testemunho de Jesus — Por testificar que ele é o Cristo.

Temas: sofrimentocontexto historico

Apocalipse 1.10 §

Nota de John Wesley

Achei-me em espírito — Isto é, em êxtase, em visão profética: tão dominado pelo poder e cheio da luz do Espírito Santo que ficou insensível às coisas exteriores, inteiramente tomado pelas espirituais e divinas. O que se segue é uma única visão contínua, que João viu num só dia; portanto, quem quiser entendê-la deve conduzir o pensamento direto através do todo, sem interrupção. Os outros livros proféticos são coleções de profecias distintas, dadas em várias ocasiões; aqui, porém, há um único tratado, cujas partes dependem exatamente umas das outras. No dia do Senhor — Neste dia o Senhor ressuscitou dos mortos; neste dia os antigos criam que ele viria para o juízo. Foi, portanto, com a máxima propriedade que João, neste dia, viu e descreveu a sua vinda. E ouvi atrás de mim — João tinha o rosto voltado para o oriente; o Senhor, também, nesta aparição, olhava para o oriente, em direção à Ásia, para onde o apóstolo devia escrever. Uma grande voz, como de trombeta — Peculiarmente própria para proclamar a vinda do grande Rei e a sua vitória sobre todos os seus inimigos.

Temas: dia do senhor

Apocalipse 1.11 §

Nota de John Wesley

Dizendo: O que vês — E ouves. Ele via e ouvia. Esta ordem se estende a todo o livro. Todos os livros do Novo Testamento foram escritos pela vontade de Deus; mas nenhum recebeu ordem tão expressa de ser escrito. Num livro — Toda a Revelação é um só livro; nem a carta ao anjo de cada igreja pertencia só a ele ou à sua igreja: o livro inteiro foi enviado a todas. Às igrejas — A seguir nomeadas; e, por meio delas, a todas as igrejas, em todas as eras e nações. A Éfeso — Thomas Smith, que em 1671 viajou por todas essas cidades, observa que de Éfeso a Esmirna são quarenta e seis milhas inglesas; de Esmirna a Pérgamo, sessenta e quatro; de Pérgamo a Tiatira, quarenta e oito; de Tiatira a Sardes, trinta e três; de Sardes a Filadélfia, vinte e sete; de Filadélfia a Laodiceia, cerca de quarenta e duas milhas.

Apocalipse 1.12-13 §

Nota de John Wesley

E voltei-me para ver a voz — Isto é, para ver aquele de quem era a voz. E, voltando-me, vi — Ao que parece, a visão se apresentou gradualmente. Primeiro ouviu uma voz; e, olhando para trás, viu os candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, dispostos em círculo, viu um semelhante a filho do homem — Isto é, em forma humana. Como homem, sem dúvida, o Senhor também aparece no céu, embora não exatamente desta maneira simbólica, na qual se apresenta como cabeça da sua igreja. Notou em seguida que o Senhor estava vestido com uma túnica até os pés, e cingido com um cinto de ouro — Como usavam os sumos sacerdotes judaicos; mas ambos são aqui também insígnias de dignidade real. Cingido à altura do peito — Quem está em viagem cinge os lombos; cingir o peito era emblema de repouso solene. Parece que o apóstolo, tendo visto tudo isso, levantou os olhos para contemplar o rosto do Senhor, mas foi rechaçado pelo brilho dos seus olhos flamejantes — o que o levou a observar mais particularmente os seus pés. Recobrando força para erguer de novo os olhos, viu as estrelas na sua mão direita e a espada que saía da sua boca; mas, ao contemplar o fulgor do seu glorioso semblante — provavelmente muito aumentado desde o primeiro relance —, 'caiu a seus pés como morto'.

Temas: cristofaniasacerdocio

Apocalipse 1.14 §

Nota de John Wesley

Sua cabeça e seus cabelos — Isto é, os cabelos da sua cabeça, não a cabeça inteira. Eram brancos como lã branca — Como o Ancião de Dias representado na visão de Daniel (Dn 7.9). A lã é comumente tida por emblema da eternidade. Como neve — Denotando sua pureza imaculada. E seus olhos como chama de fogo — Penetrando todas as coisas: sinal da sua onisciência.

Temas: cristologia

Apocalipse 1.15 §

Nota de John Wesley

E seus pés como bronze polido — Denotando sua estabilidade e força. Como se ardessem numa fornalha — Como se, fundidos e refinados, ainda estivessem incandescentes. E sua voz — Para consolo dos amigos e terror dos inimigos. Como a voz de muitas águas — Rugindo alto e arrastando tudo diante de si.

Apocalipse 1.16 §

Nota de John Wesley

E tinha na mão direita sete estrelas — Em sinal do seu favor e poderosa proteção. E da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes — Significando sua justiça e justa ira, continuamente apontada contra seus inimigos como espada: afiada, para traspassar; de dois gumes, para cortar. E o seu rosto era como o sol quando brilha na sua força — Sem névoa ou nuvem alguma.

Apocalipse 1.17 §

Nota de John Wesley

E caí a seus pés como morto — A natureza humana não podia sustentar aparição tão gloriosa. Assim foi ele preparado (como outrora Daniel, a quem peculiarmente se assemelha) para receber profecia de tanto peso. Um grande abatimento da natureza costuma preceder uma grande comunicação de coisas celestiais. João, antes da paixão do Senhor, era tão íntimo dele que se reclinava sobre o seu peito; agora, porém, quase setenta anos depois, o idoso apóstolo é derrubado ao chão por um só olhar. Que glória deve ser esta! Pecadores, temei; limpai as mãos, purificai o coração. Santos, humilhai-vos, preparai-vos, alegrai-vos — mas alegrai-vos nele com reverência: um aumento de reverência para com esta tremenda majestade não pode prejudicar a vossa fé. Longe fique toda petulância e toda vã curiosidade enquanto pensais ou ledes acerca destas coisas. E pôs sobre mim a sua mão direita — A mesma em que segurava as sete estrelas. Que terá sentido João naquele momento! Dizendo: Não temas — Seu olhar aterroriza; sua palavra fortalece. Não chama João pelo nome (como os anjos fizeram com Zacarias e outros), mas fala como o seu mestre bem conhecido. Eu sou — Quando, no estado de humilhação, falava da sua glória, frequentemente falava na terceira pessoa (Mt 26.64); agora, porém, fala da própria glória sem véu algum, em termos claros e diretos. O primeiro e o último — Isto é, o único Deus eterno, que é de eternidade a eternidade (Is 41.4).

Temas: teofaniareverencia

Apocalipse 1.18 §

Nota de John Wesley

E aquele que vive — Outro título peculiar de Deus. E tenho as chaves da morte e do Hades — Isto é, do mundo invisível. No estado intermediário, o corpo permanece na morte; a alma, no Hades. Cristo tem as chaves — isto é, o poder — sobre ambos: mata ou vivifica o corpo e dispõe da alma como lhe apraz. Ele deu a Pedro as chaves do reino dos céus, mas não as chaves da morte ou do Hades. Como, então, chegou o seu pretenso sucessor em Roma às chaves do purgatório? Da descrição precedente são tirados, na maior parte, os títulos dados a Cristo nas cartas seguintes, particularmente nas quatro primeiras.

Nota do editor

Wesley une a polêmica à exegese: Cristo — e não Pedro ou seus pretensos sucessores — detém as chaves da morte e do Hades; e a Escritura nada sabe de chaves do purgatório.

Temas: estado intermediarioautoridade de cristo

Apocalipse 1.19 §

Nota de John Wesley

Escreve as coisas que viste — Neste dia; as quais estão escritas nos vv. 11-18. E as que são — As instruções relativas ao estado presente das sete igrejas, escritas de 1.20 a 3.22. E as que hão de ser depois destas — Até o fim do mundo; escritas de Ap 4.1 em diante.

Apocalipse 1.20 §

Nota de John Wesley

Escreve primeiro o mistério — O sentido misterioso. Das sete estrelas — João sabia melhor do que nós em quantos aspectos essas estrelas eram emblema próprio daqueles anjos: quão próximos eram entre si e quanto diferiam em magnitude, brilho e outras circunstâncias. As sete estrelas são anjos das sete igrejas — Mencionadas no v. 11. Em cada igreja havia um pastor ou ministro dirigente, ao qual todos os demais estavam subordinados. Esse pastor, bispo ou supervisor tinha o cuidado peculiar daquele rebanho; dele dependia em grande medida a prosperidade daquela congregação, e ele haveria de responder por todas aquelas almas diante do tribunal de Cristo. E os sete candelabros são sete igrejas — Que emblema significativo! Pois o candelabro, ainda que de ouro, não tem luz própria; nem a tem igreja alguma, nem filho de homem algum. Mas recebem de Cristo a luz da verdade, da santidade e da consolação, para que brilhe a todos ao redor. Logo que isso foi dito, João o escreveu — tudo o que se contém neste primeiro capítulo. Depois, o que se contém no segundo e no terceiro lhe foi ditado da mesma maneira.

Temas: igrejaministerio

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