Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Apocalipse 13

Referências: 13.113.213.313.413.513.613.713.813.913.1013.1113.1213.1313.1413.1513.1613.1713.18

Introdução ao capítulo

[Nota editorial: Neste capítulo Wesley, na esteira do protestantismo histórico e de Bengel, identifica a besta do mar com o papado enquanto poder político-espiritual, documentando longamente as pretensões de Gregório VII e seus sucessores. Traduzimos suas notas com fidelidade, como documento histórico. O leitor deve lembrar: 1. Wesley critica um sistema de poder, não as pessoas; 2. a leitura preterista parcial vê na besta primariamente o poder imperial romano do primeiro século, que exigia adoração e perseguia os santos — leitura que muitos exegetas atuais consideram mais próxima do horizonte original de João; 3. o princípio permanente é o mesmo em ambas: todo poder que usurpa as prerrogativas de Deus e persegue os santos é 'besta', em qualquer era.]

Apocalipse 13.1 §

Nota de John Wesley

E fiquei sobre a areia do mar — Isto também era na visão. E vi — Logo depois que a mulher voou. Uma besta subindo — Ela sobe duas vezes: primeiro do mar, depois do abismo. Sobe do mar antes das sete taças; a 'grande prostituta' vem depois delas. Leitor, este é assunto em que também nós estamos profundamente interessados, e que deve ser tratado não como ponto de curiosidade, mas como solene advertência de Deus! O perigo está próximo: arma-te contra a força e contra a fraude, com toda a armadura de Deus. Do mar — Isto é, da Europa, na leitura de Wesley. Esta besta é, para ele, o papado romano enquanto poder 'espiritual-secular' — nem meramente espiritual, nem meramente político, mas mistura de ambos —, estritamente ligado à cidade de Roma. Wesley desenvolve isso em oito proposições, documentando a ascensão desse poder desde Gregório VII (1073-1085), que depôs e excomungou o imperador, reivindicou o direito exclusivo de fazer leis na igreja, de depor imperadores, de que todos os príncipes lhe beijassem o pé, e afirmou que 'a igreja romana nunca errou nem pode errar'. Bem observou o cardeal Belarmino: 'O anticristo governará o império romano, mas sem o nome de imperador romano'.

Temas: bestaanticristo

Apocalipse 13.2 §

Nota de John Wesley

As três primeiras bestas de Daniel são como 'leopardo', 'urso' e 'leão'. Em tudo, exceto pés e boca, esta besta era como um leopardo — feroz como leão ou urso, mas também veloz e sutil. Assim é o poder que, em parte pela astúcia, em parte pela força, ganhou domínio sobre tantas nações. E os seus pés como pés de urso — Fortíssimos e armados de garras afiadas, com que apanha por presa tudo o que alcança. E a sua boca como boca de leão — Para rugir e devorar. E o dragão — De quem é vassalo e vigário. Deu-lhe o seu poder — Sua própria força e inumeráveis exércitos. E o seu trono — Para que mandasse o que quisesse, com grande e absoluta autoridade. O dragão teve o seu trono na Roma pagã enquanto ali reinaram a idolatria e a perseguição; e, perturbado na sua posse, nunca a resignou de todo, até dá-la à besta na Roma dita cristã.

Apocalipse 13.3 §

Nota de John Wesley

E vi uma — Ou a primeira. Das suas cabeças como que ferida de morte — Assim apareceu logo que subiu. Esta ferida mortal foi-lhe dada, na leitura de Wesley, pela resistência armada dos potentados seculares, particularmente os imperadores germânicos, que por longo tempo tiveram Roma e seu bispo sob sua jurisdição. Mas a ferida foi curada, e a besta ficou mais forte que antes. E toda a terra — Todo o mundo ocidental. Maravilhou-se após a besta — Seguiu-a com admiração, nos seus concílios, cruzadas e jubileus.

Apocalipse 13.4 §

Nota de John Wesley

E adoraram o dragão — Mesmo adorando a besta, embora não o soubessem. E adoraram a besta — Prestando-lhe honra que não se pagava a nenhum potentado meramente secular. Dizendo: Quem é semelhante à besta — 'Quem é como ele?' é atributo peculiar de Deus; mas que isso é constantemente atribuído à besta, mostram-no os livros de todos os seus aderentes.

Apocalipse 13.5 §

Nota de John Wesley

E foi-lhe dada — Pelo dragão, com a permissão de Deus. Uma boca que proferia grandes coisas e blasfêmia — O mesmo se diz do chifre pequeno da quarta besta em Daniel. Nada maior, nada mais blasfemo se pode conceber do que o que esses poderes disseram de si mesmos. E foi-lhe dada autoridade por quarenta e dois meses — Cujo começo não se deve datar imediatamente da sua subida do mar, mas a alguma distância dela.

Apocalipse 13.6 §

Nota de John Wesley

Para blasfemar o seu nome — E o seu tabernáculo, isto é, os que habitam no céu — (Pois o próprio Deus habita nos habitantes do céu.) Desenterrando os ossos de muitos deles e amaldiçoando-os com as mais profundas execrações.

Apocalipse 13.7 §

Nota de John Wesley

E foi-lhe dado — Isto é, Deus lhe permitiu. Fazer guerra aos seus santos — Wesley aponta os valdenses e albigenses. Até então o sangue dos cristãos fora derramado apenas por pagãos ou arianos; daquele tempo em diante, quase somente por esse poder. Em 1208 proclamou-se cruzada contra eles; desde então abundante sangue se derramou, e o segundo exército de mártires começou a juntar-se ao primeiro, que clamara 'debaixo do altar'.

Temas: martirioperseguicao

Apocalipse 13.8 §

Nota de John Wesley

E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra — Todos serão arrastados pela torrente, exceto o pequeno rebanho dos verdadeiros crentes. Só o nome destes está escrito no livro da vida do Cordeiro. E, se mesmo algum destes 'naufragar na fé', ele o riscará do seu livro — embora estivesse ali escrito desde (isto é, antes de) a fundação do mundo (Ap 17.8).

Nota do editor

Wesley é explícito: até os inscritos 'antes da fundação do mundo' podem ser riscados do livro se naufragarem na fé — a eleição não anula a necessidade de perseverar.

Temas: livro da vidaperseveranca

Apocalipse 13.9 §

Nota de John Wesley

Se alguém tem ouvido, ouça — Antes se disse: 'Quem tem ouvido, ouça'. A expressão 'se alguém' parece implicar que dificilmente se achará quem tenha ouvido. Ouça — Com toda atenção a advertência seguinte e toda a descrição da besta.

Apocalipse 13.10 §

Nota de John Wesley

Se alguém leva em cativeiro — Deus, a seu tempo, pagará aos seguidores da besta na mesma moeda. Entretanto, aqui se exercitam a paciência e a fidelidade dos santos: a paciência, suportando cativeiro ou prisão; a fidelidade, resistindo até o sangue.

Apocalipse 13.11 §

Nota de John Wesley

E vi outra besta — Assim é chamada uma só vez, para mostrar sua ferocidade e força; em todos os outros lugares, 'o falso profeta'. Vem para confirmar o reino da primeira besta. Subindo — Depois que a outra exercera longamente a sua autoridade. Da terra — Da Ásia, na leitura de Wesley, que a considerava ainda futura. E tinha dois chifres como de cordeiro — Aparência mansa e inocente. Mas falava como dragão — Venenosa, ígnea, terrível. Assim fazem os zelosos pela besta.

Temas: falso profeta

Apocalipse 13.12 §

Nota de John Wesley

E exerce toda a autoridade da primeira besta — Descrita nos vv. 2,4,5,7. Diante dela — Pois estão ambas juntas. Cuja ferida mortal foi curada — Mais completamente curada por meio da segunda besta.

Apocalipse 13.13 §

Nota de John Wesley

Faz descer fogo — Fogo real. Do céu — Pelo poder do diabo.

Apocalipse 13.14 §

Nota de John Wesley

Diante da besta — Cuja majestade usurpada é confirmada por esses prodígios. Dizendo-lhes — Como se fosse da parte de Deus. Que façam uma imagem à besta — Como a de Nabucodonosor, seja de ouro, prata ou pedra. A imagem original será erguida onde a própria besta designar; mas tirar-se-ão muitas cópias, que poderão ser levadas a todas as partes, como as de Diana dos efésios.

Apocalipse 13.15 §

Nota de John Wesley

De modo que a imagem da besta fale — Muitos exemplos dessa espécie já houve. E que sejam mortos quantos não adorarem — Quando isso lhes for exigido, como o será de todos os que compram ou vendem. Nisto se manifesta o caráter anticristão: é Cristo quem derrama o próprio sangue; é o anticristo quem derrama o sangue alheio. E, contudo, parece que a sua última e mais cruel perseguição ainda está por vir. Essa perseguição cairá principalmente sobre os adoradores do átrio exterior, os cristãos nominais; é provável que poucos cristãos reais e interiores pereçam por ela: ao contrário, os que 'vigiam e oram sempre' serão 'considerados dignos de escapar de todas estas coisas e de estar em pé diante do Filho do homem' (Lc 21.36).

Temas: perseguicaovigilancia

Apocalipse 13.16 §

Nota de John Wesley

Na sua testa — Os mais zelosos dos seus seguidores provavelmente escolherão isto; outros podem recebê-lo na mão.

Apocalipse 13.17 §

Nota de John Wesley

Para que ninguém possa comprar ou vender — Tais editos já foram publicados há muito contra os pobres valdenses. Mas o que tinha a marca, a saber, o nome da primeira besta, ou o número do seu nome — Para Wesley, ter o nome da besta é reconhecer a autoridade usurpada; ter o número do seu nome é reconhecer a sucessão dessa autoridade. A segunda besta imporá o recebimento desta marca sob as mais severas penas.

Nota do editor

Qualquer que seja a identificação histórica adotada, o princípio é claro: a 'marca' é o reconhecimento público de uma autoridade que usurpa o lugar de Deus — o oposto do selo de Deus na testa dos seus servos (Ap 7.3).

Temas: marca da besta

Apocalipse 13.18 §

Nota de John Wesley

Aqui está a sabedoria — A ser exercitada. 'A paciência dos santos' valeu contra o poder da primeira besta; a sabedoria que Deus lhes dá valerá contra a astúcia da segunda. Quem tem entendimento — Dom de Deus, subserviente àquela sabedoria. Calcule o número da besta — Certamente ninguém pode ser censurado por tentar obedecer a este mandamento. Porque é número de homem — Wesley, seguindo Bengel, entende: número de anos comuns entre os homens. E o seu número é seiscentos e sessenta e seis — Tanto tempo, nesse cômputo, duraria a besta desde o seu primeiro aparecimento.

Nota do editor

A exegese atual, na linha preterista, vê no 666 a gematria de 'Nero César' (em letras hebraicas), o imperador perseguidor — 'número de homem' no sentido mais direto. A leitura de Bengel/Wesley (666 anos) ilustra os riscos do cálculo cronológico; a advertência espiritual permanece.

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