Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Apocalipse 14

Referências: 14.114.214.314.414.514.614.714.814.914.1014.1114.1214.1314.1414.1514.1614.1814.20

Apocalipse 14.1 §

Nota de John Wesley

E vi sobre o monte Sião — O Sião celestial. Cento e quarenta e quatro mil — Ou os mais eminentemente santos de toda a humanidade, ou os mais santos das doze tribos de Israel — os mesmos mencionados em Ap 7.4. Mas então estavam no mundo, e foram selados nas suas testas para serem preservados das pragas que se seguiriam; agora estão em segurança, e têm o nome do Cordeiro e do seu Pai escrito nas testas, como redimidos de Deus e do Cordeiro, sua propriedade agora inalienável. Esta profecia muitas vezes introduz os habitantes do céu como uma espécie de coro, com grande propriedade e elegância. A igreja de cima, refletindo sobre os grandes eventos preditos neste livro, serve para despertar a atenção dos cristãos verdadeiros e ensinar-lhes o alto interesse que neles têm. Assim a igreja na terra é instruída, animada e encorajada pelos sentimentos, pelo espírito e pela devoção da igreja no céu.

Temas: igrejagloria

Apocalipse 14.2 §

Nota de John Wesley

E ouvi um som do céu — Soando cada vez mais claro: primeiro, à distância, como som de muitas águas ou trovões; depois, mais perto, como de harpistas tocando as suas harpas. Soava vocal e instrumentalmente ao mesmo tempo.

Apocalipse 14.3 §

Nota de John Wesley

E eles — Os cento e quarenta e quatro mil. Cantam um cântico novo — E ninguém podia aprender aquele cântico — Cantá-lo e tocá-lo da mesma maneira. Senão os cento e quarenta e quatro mil que foram redimidos da terra — Dentre os homens; de todo pecado.

Apocalipse 14.4 §

Nota de John Wesley

Estes são os que não se contaminaram com mulheres — Parece que a contaminação mais profunda e a tentação mais sedutora é posta por todas as outras. São virgens — Almas sem mancha, que preservaram pureza universal. Estes são os que seguem o Cordeiro — Os que estão mais perto dele. Isto não é o seu caráter, mas a sua recompensa. Primícias — Dos espíritos glorificados. Quem tem a ambição de estar nesse número?

Apocalipse 14.5 §

Nota de John Wesley

E na sua boca não se achou engano — A parte pelo todo: nada de falso, nada de cruel, nada de profano. São sem defeito — Tendo preservado inviolada uma pureza virginal de alma e de corpo.

Apocalipse 14.6 §

Nota de John Wesley

E vi outro anjo — Um segundo é mencionado no v. 8; um terceiro, no v. 9. Estes três denotam grandes mensageiros de Deus com seus auxiliares: três homens que trazem mensagens de Deus aos homens. O primeiro exorta ao temor e culto de Deus; o segundo proclama a queda de Babilônia; o terceiro adverte acerca da besta. Felizes os que fazem bom uso dessas mensagens divinas! Voando — Avançando velozmente. Pelo meio do céu — Em toda a sua largura. Tendo um evangelho eterno — Não o evangelho propriamente dito, mas um evangelho, ou mensagem jubilosa, que haveria de influir sobre todas as eras. Para pregar a toda nação, e tribo, e língua, e povo — A judeus e gentios, até onde a autoridade da besta se estendera.

Temas: evangelhomissao

Apocalipse 14.7 §

Nota de John Wesley

Temei a Deus e dai-lhe glória, porque é chegada a hora do seu juízo — A mensagem jubilosa é propriamente esta: que a hora do juízo de Deus chegou. E daí se tira a admoestação: temei a Deus e dai-lhe glória. Os que assim fazem não adorarão a besta, nem imagem ou ídolo algum. E adorai aquele que fez — Pelo que ele se distingue absolutamente dos ídolos de toda espécie. O céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas — E os que o adoram serão livrados quando os anjos derramarem as suas taças sobre a terra, o mar, as fontes, o sol e o ar.

Apocalipse 14.8 §

Nota de John Wesley

E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu Babilônia — Com a queda de Babilônia liga-se a de todos os inimigos de Cristo e, por consequência, tempos mais felizes. Babilônia, a grande — Assim é chamada a cidade de Roma, por muitas razões: Babilônia era magnífica, forte, orgulhosa, poderosa; assim também Roma. O que Babilônia foi para o Israel antigo, Roma o tem sido para o Israel literal e espiritual de Deus. Sempre que Babilônia é mencionada neste livro, acrescenta-se 'a grande', para ensinar que Roma se tornou Babilônia quando se tornou 'a grande cidade', obtendo domínio sobre Jerusalém cerca de sessenta anos antes do nascimento de Cristo. A sua prostituição é a sua idolatria — invocação de santos e anjos, culto de imagens, tradições humanas, com toda aquela pompa exterior e aquele zelo feroz e sanguinário com que pretende servir a Deus. Isto é apropriadamente comparado ao vinho, pela sua natureza inebriante.

Temas: babiloniaidolatria

Apocalipse 14.9 §

Nota de John Wesley

E um terceiro anjo os seguiu — A não grande distância de tempo. Dizendo: Se alguém adora a besta — Esta adoração consiste, em parte, numa submissão interior — a persuasão de que quem não se sujeita àquele poder não pode receber as influências da graça divina, ou, como dizem, 'fora da sua igreja não há salvação' —, em parte na reverência exterior à própria besta e, por consequência, à sua imagem.

Apocalipse 14.10 §

Nota de John Wesley

Beberá — Com Babilônia (Ap 16.19). E será atormentado — Com a besta (Ap 20.10). Em toda a Escritura não há outra ameaça tão terrível como esta. E Deus, por este temor maior, arma os seus servos contra o temor da besta. Da ira de Deus, que é derramada sem mistura — Sem qualquer mistura de misericórdia; sem esperança. No cálice da sua indignação — E não há verdadeira ira implicada em tudo isso? Ó, o que não afirmarão até homens sábios para servir a uma hipótese!

Temas: juizoira de deus

Apocalipse 14.11 §

Nota de John Wesley

E a fumaça — Do fogo e enxofre em que são atormentados. Sobe pelos séculos dos séculos — Queira Deus que tu e eu jamais experimentemos a eternidade estrita e literal deste tormento!

Nota do editor

O próprio Wesley, note-se, ora para que ninguém 'experimente a eternidade estrita e literal deste tormento' — mantendo a advertência bíblica em toda a sua seriedade, sem transformá-la em objeto de especulação. A linguagem do texto (fumaça que sobe para sempre, cf. Is 34.10 sobre Edom) comporta tanto a leitura do tormento consciente eterno quanto a da destruição definitiva; em ambas, o juízo é irreversível e a advertência, urgentíssima. Sobre isso convém falar com temor, não com dogmatismo.

Temas: juizo

Apocalipse 14.12 §

Nota de John Wesley

Aqui está a paciência dos santos — Vista em sofrer todas as coisas antes que receber esta marca. Que guardam os mandamentos de Deus — O caráter de todos os verdadeiros santos; e particularmente o grande mandamento de crer em Jesus.

Apocalipse 14.13 §

Nota de John Wesley

E ouvi uma voz — Ouvida muito a propósito quando a besta está no auge do seu poder e fúria. Do céu — Provavelmente de um santo que partiu. Escreve — A princípio lhe fora ordenado escrever o livro todo; sempre que a ordem se repete, denota algo peculiarmente digno de nota. Felizes os mortos — Daqui em diante particularmente: 1. porque escapam das calamidades que se aproximam; 2. porque já desfrutam tão próxima antecipação da glória. Que morrem no Senhor — Na fé do Senhor Jesus. Porque descansam — Nenhuma dor, nenhum purgatório se segue; mas felicidade pura, sem mistura. Das suas fadigas — E, quanto mais laboriosa foi a vida, tanto mais doce é o descanso. Quão diferente este estado daquele dos que 'não têm descanso nem de dia nem de noite' (v. 11)! Leitor, qual escolherás? As suas obras — As obras peculiares de cada um. Os seguem — Ou os acompanham; isto é, o fruto das suas obras. As obras não vão adiante para lhes obter entrada nas mansões da alegria; mas seguem-nos, uma vez admitidos.

Nota do editor

'Nenhum purgatório se segue; mas felicidade pura' — e a ordem preciosa: as obras não precedem (para merecer a entrada), mas seguem (como fruto). Graça na raiz, obras no fruto.

Temas: mortedescansorecompensa

Apocalipse 14.14 §

Nota de John Wesley

Nos versículos seguintes, sob o emblema de uma colheita e uma vindima, são significadas duas visitações gerais: primeiro, muitos homens bons são recolhidos da terra pela colheita; depois, muitos pecadores durante a vindima. A segunda é visitação inteiramente penal; a primeira parece inteiramente graciosa. Não há aqui referência ao dia do juízo, mas a uma estação que não pode estar longe. E vi uma nuvem branca — Emblema de misericórdia. E sobre a nuvem, assentado, um semelhante a filho do homem — Um anjo em forma humana, enviado por Cristo, Senhor tanto da vindima quanto da colheita. Tendo na cabeça uma coroa de ouro — Em sinal da sua alta dignidade. E na mão uma foice afiada — Quanto mais afiada, tanto mais bem-vinda aos justos.

Apocalipse 14.15 §

Nota de John Wesley

E outro anjo saiu do templo — 'Que está no céu' (v. 17), donde saem os juízos de Deus nas estações designadas.

Apocalipse 14.16 §

Nota de John Wesley

Clamando — Por ordem de Deus. Mete a tua foice, porque a colheita está madura — Isso implica alto grau de santidade naqueles homens bons, e ardente desejo de estar com Deus.

Apocalipse 14.18 §

Nota de John Wesley

E outro anjo, do altar — Dos holocaustos, de onde os mártires haviam clamado por vingança. Que tinha poder sobre o fogo — Como 'o anjo das águas' (Ap 16.5) sobre a água. Clamou, dizendo: Corta os cachos da videira da terra — Todos os ímpios são considerados como um só corpo.

Apocalipse 14.20 §

Nota de John Wesley

E o lagar foi pisado — Pelo Filho de Deus (Ap 19.15). Fora da cidade — Jerusalém. Aqueles a quem João escrevia, quando alguém dizia 'a cidade', entendiam imediatamente. E saiu sangue do lagar até os freios dos cavalos — Tão fundo já ao primeiro fluir do lagar! Por mil e seiscentos estádios — Tão longe! — pelo menos trezentos quilômetros, por toda a terra da Palestina.

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