Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Apocalipse 17

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Apocalipse 17.1 §

Nota de John Wesley

E veio um dos sete anjos, dizendo: Vem cá — Esta relação acerca da grande prostituta e a relação acerca da esposa do Cordeiro (Ap 21.9-10) têm a mesma introdução, em sinal da exata oposição entre elas. Mostrar-te-ei o julgamento da grande prostituta — Que agora é circunstanciadamente descrito. Que se assenta como rainha — Em pompa, poder, comodidade e luxo. Sobre muitas águas — Muitos povos e nações (v. 15).

Temas: babilonia

Apocalipse 17.2 §

Nota de John Wesley

Com quem os reis da terra — Antigos e modernos, por muitas eras. Se prostituíram — Participando da sua idolatria e das suas várias maldades. E os habitantes da terra — O povo comum. Embriagaram-se com o vinho da sua prostituição — Nenhum vinho embriaga mais profundamente os que o bebem do que o falso zelo embriaga os seguidores da grande prostituta.

Apocalipse 17.3 §

Nota de John Wesley

E levou-me — Na visão. A um deserto — A campanha romana, a região ao redor de Roma, é hoje um deserto comparada ao que já foi. E vi uma mulher — Tanto a Escritura quanto outros escritores frequentemente representam uma cidade sob este emblema. Assentada sobre uma besta escarlate — A mesma descrita no capítulo 13. Mas lá ela foi descrita conduzindo apenas os próprios desígnios; aqui, em conexão com a prostituta. Há, de fato, estreitíssima conexão entre elas, sendo as sete cabeças da besta 'sete montes sobre os quais a mulher se assenta'. E, contudo, há diferença bem notável — entre o poder e a cidade. Esta mulher é, na leitura de Wesley, a cidade de Roma, com seus edifícios e habitantes, especialmente os nobres. Cheia de nomes de blasfêmia — Antes tinha 'um nome de blasfêmia sobre a cabeça' (Ap 13.1); agora tem muitos. Tendo sete cabeças — Que se estendem em sucessão desde a sua subida do mar até ser lançada no lago de fogo. E dez chifres — Contemporâneos entre si, pertencentes ao seu último período.

Apocalipse 17.4 §

Nota de John Wesley

E a mulher estava vestida — Com a máxima pompa e magnificência. De púrpura e escarlate — Eram as cores do traje imperial: a púrpura, em tempos de paz; o escarlate, em tempos de guerra. Tendo na mão um cálice de ouro — Como a antiga Babilônia (Jr 51.7). Cheio de abominações — As doutrinas e práticas mais abomináveis.

Apocalipse 17.5 §

Nota de John Wesley

E na sua testa um nome escrito — Ao passo que os santos têm o nome de Deus e do Cordeiro nas suas testas. Mistério — Esta mesma palavra estava inscrita na frente da mitra papal, até que alguns reformadores o notaram publicamente. Babilônia, a grande — A mãe das prostitutas — A progenitora, cabeça, patrona e nutridora de muitas filhas que a copiam fielmente. E das abominações — De toda espécie, espirituais e carnais. Da terra — Em todas as terras: neste sentido ela é, de fato, 'católica', universal.

Apocalipse 17.6 §

Nota de John Wesley

E vi a mulher embriagada com o sangue dos santos — De modo que bem se pode chamá-la 'o matadouro dos mártires'. Ela derramou muito sangue cristão em todas as eras; mas por fim está até embriagada dele, no tempo a que esta visão se refere. As testemunhas de Jesus — Os pregadores da sua palavra. E admirei-me sobremaneira — Da crueldade dela e da paciência de Deus.

Temas: martirio

Apocalipse 17.7 §

Nota de John Wesley

Dir-te-ei o mistério — O sentido oculto disto.

Apocalipse 17.8 §

Nota de John Wesley

A besta que viste era, e não é, e há de subir do abismo, e vai para a perdição — Descrição bem pontual: toda a duração da besta divide-se aqui em três períodos, expressos de forma quádrupla. O primeiro é descrito no capítulo 13 — já passado quando o anjo falava a João; o segundo estava então em curso; o terceiro por vir. E não é — A quinta taça trouxe trevas sobre o seu reino; a mulher aproveitou-se disso para assentar-se sobre ela. Então se pôde dizer: 'ela não é'. Contudo, subirá depois do abismo — Levantar-se-á de novo com força e fúria diabólicas. Mas não reinará muito: pouco depois da sua subida vai para a perdição, para sempre.

Apocalipse 17.9 §

Nota de John Wesley

Aqui está a mente que tem sabedoria — Só os sábios entenderão isto. As sete cabeças são sete montes.

Apocalipse 17.10 §

Nota de John Wesley

E são sete reis — Antigamente havia palácios reais em todos os sete montes romanos: Palatino, Capitolino, Célio, Esquilino, Viminal, Quirinal e Aventino. Wesley (com Bengel) propõe uma correspondência entre as cabeças e os palácios papais sucessivos desde Gregório VII, com cômputos que culminariam em 1836. Cinco caíram, um é, o outro ainda não chegou; e, quando chegar, deve durar pouco tempo.

Nota do editor

Mais uma vez os cálculos de Bengel (1832-1836) ficaram para trás sem cumprir-se. A leitura preterista parcial entende os sete reis como imperadores romanos do primeiro século ('cinco caíram, um é' — escrito sob o sexto), o que dispensa toda essa aritmética. O leitor pode comparar as duas abordagens e verificar qual faz mais justiça ao texto.

Apocalipse 17.11 §

Nota de John Wesley

E a besta que era e não é, é também o oitavo — Terminado o tempo do seu 'não ser'. A besta consta, por assim dizer, de oito partes: as sete cabeças são sete delas, e a oitava é o seu corpo inteiro, a própria besta. Contudo, a própria besta, embora chamada em certo sentido a oitava, é dos sete — sim, contém-nos a todos. Na leitura de Wesley, o último representante dessa sucessão será mais eminentemente 'o homem do pecado', acrescentando aos antecessores um grau peculiar de maldade vinda do abismo: como cabeça, é o sétimo; como 'homem do pecado', é o oitavo — a própria besta.

Apocalipse 17.12 §

Nota de John Wesley

Os dez chifres são dez reis — Em parte alguma se diz que esses chifres estejam na besta ou nas suas cabeças; e diz-se que ela os tem, não como um dos sete, mas como o oitavo. São dez potentados seculares, contemporâneos — não sucessivos —, que recebem autoridade como reis com a besta, provavelmente em alguma convenção, e que, depois de brevíssimo espaço, a entregarão à besta. Pela sua curta duração, atribui-se-lhes apenas autoridade como reis, não um reino. Enquanto retêm essa autoridade juntamente com a besta, ela será mais forte do que nunca; mas muito mais forte ainda quando o poder deles também lhe for transferido.

Apocalipse 17.13 §

Nota de John Wesley

Nos vv. 13-14 resume-se o que depois se menciona acerca dos chifres e da besta neste e nos dois capítulos seguintes. Estes têm um só pensamento, e dão — Todos, de comum acordo, dão o seu poder bélico e a sua autoridade real à besta.

Apocalipse 17.14 §

Nota de John Wesley

Estes — Os reis com a besta. Ele é Senhor dos senhores — Soberano legítimo de todos, governando todas as coisas bem. E Rei dos reis — Como rei, luta com todos os seus inimigos e os vence. E os que estão com ele — Contemplando a sua vitória, são os que, enquanto no corpo, foram chamados pela sua palavra e Espírito. E escolhidos — Tirados do mundo, quando foram habilitados a crer nele. E fiéis — Até a morte.

Temas: cristologiavitoria

Apocalipse 17.15 §

Nota de John Wesley

Povos, e multidões, e nações, e línguas — Não se diz 'tribos', pois Israel nada tem a ver com Roma em particular.

Apocalipse 17.16 §

Nota de John Wesley

E devorarão a sua carne — As suas imensas riquezas.

Apocalipse 17.17 §

Nota de John Wesley

Porque Deus lhes pôs no coração — O que, de fato, nada menos que o poder onipotente poderia efetuar. Executar a sua sentença — Até que as palavras de Deus — Sobre a derrubada de todos os seus inimigos — se cumpram.

Nota do editor

Até a fúria dos ímpios serve, sem o saber, ao propósito de Deus: 'Deus lhes pôs no coração executar a sua sentença'. Providência soberana que não anula, mas governa, a liberdade das criaturas.

Temas: soberania

Apocalipse 17.18 §

Nota de John Wesley

A mulher é a grande cidade que reina — A saber, enquanto a besta 'não é' e a mulher 'se assenta sobre ela'.

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