E vi tronos — Como os prometidos aos apóstolos (Mt 19.28; Lc 22.30). E eles — A saber, os santos, que João viu ao mesmo tempo (Dn 7.22). Assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o julgamento (1Co 6.2). E vi as almas dos que foram decapitados — Com o machado: é o que a palavra original significa. Menciona-se por todas uma só espécie de morte, particularmente infligida em Roma. Pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus — Os mártires eram mortos ora pela palavra de Deus em geral, ora particularmente pelo testemunho de Jesus: umas vezes por recusarem adorar os ídolos, outras por confessarem o nome de Cristo. E os que não adoraram a besta nem a sua imagem — E viveram — Reunidas as suas almas e os seus corpos. E reinaram com Cristo — Não na terra, mas no céu. O 'reinar sobre a terra' de Ap 11.15 é bem diferente disto. Mil anos — Deve observar-se que, na leitura de Wesley (com Bengel), dois mil anos distintos são mencionados em toda esta passagem: os mil em que Satanás está preso (vv. 2,3,7) e os mil em que os santos reinam (vv. 4-6); aqueles terminam antes do fim do mundo, estes alcançam a ressurreição geral.
Nota do editor
Note-se: o próprio Wesley diz que os santos reinam com Cristo 'não na terra, mas no céu' — exatamente o que a leitura amilenista afirma de Ap 20.4-6: a 'primeira ressurreição' é a entrada das almas dos fiéis na vida e no reinado celestial com Cristo (cf. Fp 1.23; 2Co 5.8), enquanto a ressurreição corporal e geral vem no fim. A engenhosa tese dos 'dois milênios' de Bengel torna-se desnecessária nessa leitura.