Cada um deles tem seis asas — Como cada um dos serafins na visão de Isaías. 'Com duas cobria o rosto', em sinal de humildade e reverência; 'com duas, os pés', talvez em sinal de prontidão e diligência para executar as comissões divinas. Ao redor e por dentro estão cheios de olhos: ao redor, para ver tudo o que está mais longe do trono do que eles mesmos; por dentro, na parte interior do círculo que formam entre si. Primeiro olham do centro para a circunferência, depois da circunferência para o centro. E não descansam — Ó feliz inquietude! Dia e noite — Como falamos na terra; mas não há noite no céu. E dizem: Santo, santo, santo — É o Deus trino. Há no original duas palavras bem diferentes que traduzimos por 'santo': uma significa propriamente 'misericordioso'; a outra, que aqui ocorre, implica muito mais. Esta santidade é a suma de todo louvor dado ao Criador todo-poderoso por tudo o que ele faz e revela acerca de si, até que o cântico novo traga nova matéria de glória. A palavra significa propriamente 'separado', tanto no hebraico quanto em outras línguas. E, quando Deus é chamado santo, denota aquela excelência que é inteiramente peculiar a ele — a glória que flui de todos os seus atributos conjuntos, resplandecendo de todas as suas obras e ofuscando tudo o mais, pela qual ele é e eternamente permanece, de maneira incompreensível, separado e distante não só de tudo o que é impuro, mas de tudo o que é criado. Deus é separado de todas as coisas: ele é e opera de si mesmo, fora de si, em si, por si e para si. Portanto, ele é o primeiro e o último, o único e o Eterno, vivente e feliz, sem fim e imutável, todo-poderoso, onisciente, sábio e verdadeiro, justo e fiel, gracioso e misericordioso. Daí que 'santo' e 'santidade' signifiquem o mesmo que 'Deus' e 'divindade'; e, como dizemos de um rei 'Sua Majestade', assim a Escritura diz de Deus 'Sua Santidade' (Hb 12.10). O Espírito Santo é o Espírito de Deus. Quando se fala de Deus, ele é muitas vezes chamado 'o Santo'; e, como Deus jura pelo seu nome, também jura pela sua santidade, isto é, por si mesmo. Esta santidade é muitas vezes chamada glória; e muitas vezes a sua santidade e a sua glória são celebradas juntas (Lv 10.3; Is 6.3). Pois a santidade é glória coberta, e a glória é santidade descoberta. A Escritura fala abundantemente da santidade e glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e com isso o mistério da Santa Trindade é eminentemente confirmado. Chama-se santo também o que lhe é consagrado e para esse fim separado das demais coisas, e aquilo em que podemos ser semelhantes a Deus ou unidos a ele. No hino semelhante a este registrado por Isaías (Is 6.3), acrescenta-se: 'Toda a terra está cheia da sua glória'; mas isso é adiado, na Revelação, até que a glória do Senhor, destruídos os seus inimigos, encha a terra.