Apocalipse 5.1 §
Nota de John Wesley
E vi — Continuação da mesma narrativa. Na mão direita — Emblema do seu poder que tudo governa. Ele o segurava abertamente, a fim de dá-lo àquele que fosse digno. Mal é preciso observar que não há no céu nenhum livro real de pergaminho ou papel, nem que Cristo esteja realmente ali em forma de leão ou de cordeiro, nem que haja na terra alguma besta monstruosa de sete cabeças e dez chifres. Mas, assim como há na terra algo que, em seu gênero, corresponde a tal representação, assim há no céu conselhos e transações divinas correspondentes a essas expressões figuradas. Tudo isso foi representado a João em Patmos, num só dia, por meio de visão; mas o cumprimento se estende daquele tempo por todas as eras. Os escritos servem para nos informar de coisas distantes e futuras; daí as coisas ainda por vir serem figuradamente ditas 'escritas no livro de Deus' — como estava, naquele tempo, o conteúdo desta grave profecia. Mas o livro estava selado. Agora vem a abertura e também o cumprimento das grandes coisas que são, por assim dizer, as suas letras. Um livro escrito por dentro e por fora — Isto é, sem parte alguma em branco: cheio de matéria. Selado com sete selos — Segundo as sete partes principais nele contidas, um selo do lado de fora de cada uma. Os livros usuais dos antigos não eram como os nossos, mas rolos: longas peças de pergaminho enroladas numa vara comprida, como frequentemente enrolamos sedas. Assim era o que aqui se representa, selado com sete selos — não que o apóstolo visse todos os selos de uma vez, pois eram sete volumes enrolados um dentro do outro, cada qual selado, de modo que, aberto e desenrolado o primeiro, o segundo aparecia selado, até que fosse aberto, e assim até o sétimo. O livro e seus selos representam todo o poder no céu e na terra dado a Cristo. Uma cópia deste livro está contida nos capítulos seguintes. Pelas 'trombetas', contidas sob o sétimo selo, o reino do mundo é abalado, para que enfim se torne o reino de Cristo; pelas 'taças', sob a sétima trombeta, o poder da besta, e tudo o que com ele se conecta, é quebrado. Esta suma de tudo devemos ter continuamente diante dos olhos: assim toda a Revelação flui em sua ordem natural.
Nota do editor
Preciosa observação hermenêutica de Wesley: as figuras do Apocalipse são linguagem simbólica de realidades divinas — 'não há no céu livro de pergaminho, nem Cristo em forma de leão'. Um lembrete contra literalismos indevidos na leitura do livro.
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