A suma do que se trata no capítulo sétimo e seguintes está contida nos vv. 7-10; e nesta suma está admiravelmente compreendido o processo da sua paixão, com as suas causas mais íntimas, nos próprios termos usados pelos evangelistas. O qual, nos dias da sua carne — Aqueles dois dias, em particular, em que os seus sofrimentos chegaram ao auge. Tendo oferecido orações e súplicas — Três vezes. Com forte clamor e lágrimas — No jardim. Àquele que o podia salvar da morte — Que ele, contudo, suportou, em obediência à vontade do seu Pai. E tendo sido ouvido naquilo que particularmente temia — Quando o cálice lhe foi primeiro oferecido, pôs-se-lhe diante aquela horrível imagem de uma morte dolorosa, vergonhosa, maldita, que o moveu a orar condicionalmente contra ela; pois, se o desejasse, o seu Pai celestial lhe teria enviado mais de doze legiões de anjos para o livrar. Mas o que ele sobremaneira temia era o peso da justiça infinita: ser 'moído' e 'posto em aflição' pela mão do próprio Deus. Comparado com isto, tudo o mais era um mero nada; e, contudo, tão grandemente sempre teve sede de obedecer à justa vontade do seu Pai, e de 'dar a própria vida pelas ovelhas', que anelava veementemente ser batizado com este batismo (Lc 12.50). A sua natureza humana, é certo, necessitava do apoio da Onipotência, e por isso ele elevou forte clamor e lágrimas; mas, por toda a sua vida, mostrou que não eram os sofrimentos que ia suportar, mas a desonra que o pecado fizera a um Deus tão santo, que afligia a sua alma imaculada. A consideração de ser aquela a vontade de Deus temperou o seu temor e depois o absorveu; e ele foi ouvido, não de modo que o cálice passasse, mas de modo que o bebeu sem temor algum.