Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

InícioNovo TestamentoRomanos → Capítulo 8

Romanos 8

Referências: 8.18.28.38.48.58.68.78.88.98.108.128.138.148.158.168.178.188.198.208.218.228.238.248.268.278.288.298.308.318.328.338.348.358.368.378.38-39

Romanos 8.1 §

Nota de John Wesley

Agora, pois, nenhuma condenação há — Seja por coisas presentes, seja por passadas. Agora ele chega ao livramento e à liberdade. O apóstolo retoma aqui o fio do seu discurso, interrompido em Rm 7.7.

Temas: justificacaolibertacao

Romanos 8.2 §

Nota de John Wesley

A lei do Espírito — Isto é, o evangelho. Me livrou da lei do pecado e da morte — Isto é, da dispensação mosaica.

Romanos 8.3 §

Nota de John Wesley

Porquanto o que a lei — De Moisés. Não podia fazer, por estar fraca pela carne — Incapaz de vencer a nossa natureza má. Se pudesse, Deus não teria necessitado enviar o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa — Nós, com a nossa carne pecaminosa, estávamos devotados à morte. Mas Deus, enviando o seu próprio Filho em semelhança daquela carne, embora puro de pecado, condenou o pecado que estava na nossa carne; deu sentença de que o pecado fosse destruído e o crente inteiramente liberto dele.

Temas: cristologiasantificacao

Romanos 8.4 §

Nota de John Wesley

Para que a justiça da lei — A santidade que ela requeria. Se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito — Que somos guiados em todos os nossos pensamentos, palavras e ações não pela natureza corrupta, mas pelo Espírito de Deus. Deste ponto em diante, Paulo descreve primariamente o estado dos crentes, e o dos incrédulos apenas para ilustrá-lo.

Temas: santidadeespirito santo

Romanos 8.5 §

Nota de John Wesley

Os que são segundo a carne — Que permanecem sob a direção da natureza corrupta. Cuidam das coisas da carne — Têm os pensamentos e afeições fixados nas coisas que gratificam a natureza corrupta: nas coisas visíveis e temporais; nas coisas da terra — prazer (dos sentidos ou da imaginação), louvor ou riquezas. Mas os que são segundo o Espírito — Que estão sob a sua direção. Cuidam das coisas do Espírito — Pensam, saboreiam, amam as coisas invisíveis, eternas; as coisas que o Espírito revelou, que opera em nós, a que nos move e que promete dar-nos.

Romanos 8.6 §

Nota de John Wesley

Porque o pendor da carne — Isto é, cuidar das coisas da carne. É morte — A marca certa da morte espiritual e o caminho para a morte eterna. Mas o pendor do Espírito — Isto é, cuidar das coisas do Espírito. É vida — Marca certa da vida espiritual e caminho para a vida eterna. E acompanhado de paz — A paz de Deus, que é o antegozo da vida eterna; e paz com Deus, oposta à inimizade mencionada no versículo seguinte.

Romanos 8.7 §

Nota de John Wesley

Inimizade contra Deus — Contra a sua existência, o seu poder e a sua providência.

Romanos 8.8 §

Nota de John Wesley

Os que estão na carne — Sob o governo dela.

Romanos 8.9 §

Nota de John Wesley

No Espírito — Sob o seu governo. Se alguém não tem o Espírito de Cristo — Habitando e governando nele. Esse tal não é dele — Não é membro de Cristo; não é cristão; não está em estado de salvação. Declaração clara e expressa, que não admite exceção. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Temas: espirito santo

Romanos 8.10 §

Nota de John Wesley

Ora, se Cristo está em vós — Onde está o Espírito de Cristo, ali está Cristo. O corpo, de fato, está morto — Devotado à morte. Por causa do pecado — Anteriormente cometido. Mas o Espírito é vida — Já verdadeiramente vivo. Por causa da justiça — Agora alcançada. Do v. 13 em diante, Paulo, tendo terminado o que começara em Rm 6.1, descreve puramente o estado dos crentes.

Romanos 8.12 §

Nota de John Wesley

Não somos devedores à carne — Não devemos segui-la.

Romanos 8.13 §

Nota de John Wesley

As obras da carne — Não somente as ações más, mas os desejos, temperamentos e pensamentos maus. Se mortificardes — Matardes, destruirdes estas coisas. Vivereis — A vida da fé, mais abundantemente aqui; e, depois, a vida da glória.

Temas: mortificacaosantificacao

Romanos 8.14 §

Nota de John Wesley

Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus — Em todos os caminhos da justiça. Esses são filhos de Deus — Aqui Paulo entra na descrição daquelas bênçãos que ele compreende, no v. 30, na palavra 'glorificados'; embora, de fato, não descreva a glória pura, mas a que ainda está misturada com a cruz. A suma é: pelos sofrimentos à glória.

Temas: adocao

Romanos 8.15 §

Nota de John Wesley

Porque vós — Que sois cristãos verdadeiros. Não recebestes o espírito de escravidão — O Espírito Santo não era propriamente espírito de escravidão, nem mesmo no tempo do Antigo Testamento. Contudo, algo de escravidão permanecia mesmo nos que então haviam recebido o Espírito. Outra vez — Como os judeus antes. Nós — Todos e cada um dos crentes. Clamamos — A palavra denota um falar veemente, com desejo, confiança, constância. Aba, Pai — A segunda palavra explica a primeira. Usando tanto o vocábulo siríaco quanto o grego, Paulo parece apontar o clamor conjunto dos crentes judeus e gentios. O espírito de escravidão aqui parece significar diretamente aquelas operações do Espírito Santo pelas quais a alma, na sua primeira convicção, se sente escravizada ao pecado, ao mundo, a Satanás, e exposta à ira de Deus. Este, portanto, e o Espírito de adoção são um e o mesmo Espírito, apenas manifestando-se em operações várias, segundo as várias circunstâncias das pessoas.

Temas: adocaoespirito santo

Romanos 8.16 §

Nota de John Wesley

O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito — Com o espírito de todo verdadeiro crente, por um testemunho distinto do do seu próprio espírito, ou do testemunho de uma boa consciência. Felizes os que o desfrutam claro e constante!

Nota do editor

Nota editorial: este versículo é a base bíblica da doutrina wesleyana do testemunho do Espírito (cf. os sermões 'The Witness of the Spirit' I e II): uma impressão interior direta do Espírito, distinta da mera inferência da consciência, pela qual o filho de Deus sabe que o é.

Temas: testemunho do espirito

Romanos 8.17 §

Nota de John Wesley

Coerdeiros — Para que saibamos que é grande a herança que Deus nos dará, pois deu grande herança ao seu Filho. Se sofrermos com ele — Voluntária e alegremente, por amor da justiça. Esta é uma nova proposição, referente ao que segue.

Romanos 8.18 §

Nota de John Wesley

Porque considero — Este versículo dá a razão por que ele acabou de mencionar sofrimentos e glória. Quando aquela glória 'se revelar em nós', então os filhos de Deus também serão revelados.

Romanos 8.19 §

Nota de John Wesley

Pois a ardente expectativa — A palavra denota uma esperança viva de algo que se aproxima e um anelo veemente por ele. Da criação — De todas as criaturas visíveis, exceto os crentes, dos quais se fala à parte; cada espécie, segundo é capaz. Todas estas têm sofrido por causa do pecado; e a todas estas (excetuados os finalmente impenitentes) redundará refrigério da glória dos filhos de Deus. Os pagãos retos de modo algum devem ser excluídos desta ardente expectativa; sim, talvez algo dela se ache por vezes até nos mais vãos dos homens, os quais (embora na pressa da vida confundam vaidade com liberdade e em parte sufoquem, em parte dissimulem os seus gemidos) nas suas horas sóbrias, quietas, insones, aflitas, derramam muitos suspiros ao ouvido de Deus.

Temas: esperancagraca preveniente

Romanos 8.20 §

Nota de John Wesley

A criação foi sujeita à vaidade — Abuso, miséria e corrupção. Por aquele que a sujeitou — A saber, Deus (Gn 3.17; 5.29). Adão apenas a tornou passível da sentença que Deus pronunciou; contudo, não sem esperança.

Romanos 8.21 §

Nota de John Wesley

A própria criação será libertada — Destruição não é libertação: portanto, o que quer que seja destruído, ou deixe de ser, não é libertado de modo algum. Será, então, alguma parte da criação destruída? Para a gloriosa liberdade — O excelente estado em que foram criadas.

Temas: restauracao

Romanos 8.22 §

Nota de John Wesley

Porque toda a criação geme conjuntamente — Com gemidos conjuntos, como que a uma só voz. E está em dores de parto — Literalmente: está nas dores do parto, para se ver livre do fardo da maldição. Até agora — Até esta exata hora; e assim continuará até o tempo da libertação.

Romanos 8.23 §

Nota de John Wesley

E mesmo nós, que temos as primícias do Espírito — Isto é, o Espírito, que é as primícias da nossa herança. A adoção — As pessoas adotadas privadamente entre os romanos eram muitas vezes levadas ao fórum e ali publicamente reconhecidas como filhos por aqueles que as adotavam. Assim, na ressurreição geral, quando o próprio corpo for redimido da morte, os filhos de Deus serão publicamente reconhecidos por ele na grande assembleia de homens e anjos. A redenção do nosso corpo — Da corrupção para a glória e a imortalidade.

Temas: adocaoressurreicao

Romanos 8.24 §

Nota de John Wesley

Porque somos salvos pela esperança — A nossa salvação está agora apenas em esperança. Ainda não possuímos esta plena salvação.

Temas: esperanca

Romanos 8.26 §

Nota de John Wesley

Do mesmo modo também o Espírito — Sim, não somente o universo, não somente os filhos de Deus, mas o próprio Espírito de Deus, por assim dizer, geme, enquanto socorre as nossas fraquezas. Os nossos entendimentos são fracos, particularmente nas coisas de Deus; os nossos desejos são fracos; as nossas orações são fracas. Não sabemos — Muitas vezes. O que devemos pedir — Muito menos somos capazes de pedi-lo como convém; mas o Espírito intercede por nós — Nos nossos corações, como Cristo o faz no céu. Com gemidos — Cuja matéria vem de nós mesmos, mas o Espírito lhes dá forma; e frequentemente são inexprimíveis até pelos próprios fiéis.

Temas: oracaoespirito santo

Romanos 8.27 §

Nota de John Wesley

Mas aquele que sonda os corações — Onde o Espírito habita e intercede. Sabe — Ainda que o homem não possa exprimi-lo. Qual é a mente do Espírito, porque ele intercede pelos santos — Que estão próximos de Deus. Segundo Deus — Segundo a sua vontade, como é digno de Deus e aceitável a ele.

Romanos 8.28 §

Nota de John Wesley

E sabemos — Isto em geral, embora nem sempre saibamos particularmente o que pedir. Que todas as coisas — Alívio ou dor, pobreza ou riqueza, e as dez mil mudanças da vida. Cooperam para o bem — Forte e suavemente, para o bem espiritual e eterno. Daqueles que são chamados segundo o seu propósito — O seu gracioso desígnio de salvar um mundo perdido pela morte do seu Filho. Esta é uma nova proposição. Paulo, estando prestes a recapitular toda a bênção contida na justificação (chamada 'glorificação' no v. 30), primeiro remonta ao propósito ou decreto de Deus, frequentemente mencionado na Escritura sagrada. Para explicar isto um pouco mais amplamente (quase nas palavras de um eminente escritor): quando um homem tem diante de si uma obra demorada e importante, ele faz pausa, consulta e planeja; e, tendo traçado um plano, resolve ou decreta proceder de acordo. Tendo observado isto em nós mesmos, estamos prontos a aplicá-lo também a Deus; e ele, em condescendência conosco, o aplicou a si mesmo. As obras da providência e da redenção são vastas e estupendas, e por isso tendemos a conceber Deus como deliberando e consultando sobre elas, e então decretando agir segundo 'o conselho da sua própria vontade' — como se, muito antes de o mundo ser feito, ele tivesse combinado medidas quanto ao fazê-lo e governá-lo, e então escrito os seus decretos, que não se alterariam mais do que as leis dos medos e persas. Ora, tomar este consultar e decretar em sentido literal seria absurdo igual ao de atribuir ao Deus eternamente bendito um corpo humano real e paixões humanas. Trata-se apenas de uma representação popular do seu conhecimento infalível e da sua sabedoria imutável; isto é, ele faz todas as coisas tão sabiamente quanto um homem possivelmente faria após a mais profunda consulta, e prossegue tão firmemente no método mais adequado quanto alguém que houvesse traçado um esquema de antemão. Mas, embora os efeitos sejam tais que argumentariam, no homem, consulta e decretos consequentes, que necessidade há de um momento de consulta naquele que vê todas as coisas num só olhar? Nem teve Deus mais ocasião de pausar e deliberar, e estabelecer regras para a sua própria conduta desde toda a eternidade, do que tem agora. Havia acaso temor de que errasse depois, se não tivesse preparado de antemão decretos para dirigi-lo no que devia fazer? Dirá alguém que ele era mais sábio antes da criação do que depois? Ou que tinha então mais vagar, para aproveitar aquela oportunidade de pôr em ordem os seus negócios e fazer regras para si mesmo, das quais nunca se desviaria? Ele tem, sem dúvida, hoje a mesma sabedoria e todas as demais perfeições que tinha desde a eternidade; e está agora tão capaz de fazer decretos — ou, antes, não tem mais ocasião para eles agora do que antes: sendo o seu entendimento sempre igualmente claro e brilhante, a sua sabedoria igualmente infalível.

Nota do editor

Nota editorial: esta longa reflexão de Wesley sobre os 'decretos' é central ao debate com o calvinismo do seu tempo: a linguagem de decretos eternos é condescendência antropomórfica, não descrição literal. Deus não precisou fixar de antemão um registro imutável que o dirigisse; a sua sabedoria é igualmente infalível em todo momento.

Temas: providenciadecretos

Romanos 8.29 §

Nota de John Wesley

Aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho — Aqui o apóstolo declara quem são aqueles que ele de antemão conheceu e predestinou para a glória: a saber, os que são conformes à imagem do seu Filho. Esta é a marca dos que são conhecidos de antemão e serão glorificados (2Tm 2.19; Fp 3.10, 21).

Temas: prescienciapredestinacao

Romanos 8.30 §

Nota de John Wesley

A esses ele — No devido tempo. Chamou — Pelo seu evangelho e pelo seu Espírito. E aos que chamou — Quando obedientes ao chamado celestial (At 26.19). Também justificou — Perdoou e aceitou. E aos que justificou — Contanto que 'permanecessem na sua bondade' (Rm 11.22), a esses, no fim, glorificou — Paulo não afirma, nem aqui nem em parte alguma dos seus escritos, que precisamente o mesmo número de homens é chamado, justificado e glorificado. Ele não nega que um crente possa desviar-se e ser cortado entre o seu chamado especial e a sua glorificação (Rm 11.22). Nem nega que muitos são chamados que nunca são justificados. Afirma somente que este é o método pelo qual Deus nos conduz, passo a passo, rumo ao céu. Glorificou — Ele fala como quem olha para trás, da meta, sobre a corrida da fé. De fato, a graça, sendo a glória começada, é tanto penhor quanto antegozo da glória eterna.

Nota do editor

Nota editorial: eis a exegese wesleyana clássica da 'corrente de ouro' de Romanos 8.30: os elos descrevem o método de Deus, não um número fechado de pessoas. O chamado é obedecido (At 26.19), a justificação é conservada 'contanto que permaneçam na sua bondade' (Rm 11.22) — a perseverança é condicional, e a glorificação é vista da perspectiva da meta alcançada.

Temas: predestinacaoperseveranca condicional

Romanos 8.31 §

Nota de John Wesley

Que diremos, pois, a estas coisas — Relatadas nos capítulos terceiro, quinto e oitavo? Como se dissesse: não podemos ir, pensar ou desejar nada além. Se Deus é por nós — Seguem-se aqui quatro períodos, um geral e três particulares. Cada um começa gloriando-se na graça de Deus, seguindo-se uma pergunta adequada, desafiando todos os oponentes; a tudo o que 'estou persuadido' etc. é a resposta geral. O período geral é: Se Deus é por nós, quem será contra nós? O primeiro particular, relativo ao passado: Aquele que não poupou o seu próprio Filho, como não nos dará livremente todas as coisas? O segundo, relativo ao presente: É Deus quem justifica; quem condenará? O terceiro, relativo ao futuro: É Cristo quem morreu — quem nos separará do amor de Cristo?

Romanos 8.32 §

Nota de John Wesley

Aquele que — Este período contém quatro sentenças: Não poupou o seu próprio Filho; logo, nos dará livremente todas as coisas. Entregou-o por todos nós; logo, ninguém pode acusar-nos de coisa alguma. Livremente — Pois tudo o que segue a justificação é também dom gratuito. Todas as coisas — Necessárias ou proveitosas para nós.

Temas: graca

Romanos 8.33 §

Nota de John Wesley

Eleitos de Deus — O autor acima citado observa que, muito antes da vinda de Cristo, o mundo pagão se revoltou contra o verdadeiro Deus e foi por isso reprovado, ou rejeitado. Mas a nação dos judeus foi escolhida para ser o povo de Deus e por isso chamada 'os filhos de Deus' (Dt 14.1), 'povo santo' (Dt 7.6; 14.2), 'semente escolhida' (Dt 4.37), 'os eleitos' (Is 41.8-9; 43.10), 'os chamados de Deus' (Is 48.12). E estes títulos eram dados a toda a nação de Israel, incluindo bons e maus. Ora, tendo o evangelho a mais estreita conexão com os livros do Antigo Testamento, onde estas expressões ocorrem com frequência, e sendo o nosso Senhor e os seus apóstolos judeus nativos, que começaram a pregar na terra de Israel, a linguagem em que pregavam naturalmente abundaria nas expressões da nação judaica. Daí ser fácil ver por que os que não o quiseram receber foram chamados reprovados: deixaram de ser o povo de Deus; ao passo que este e os demais títulos honrosos continuaram para todos os judeus que abraçaram o cristianismo. E as mesmas apelações que outrora pertenciam à nação judaica foram agora dadas também aos cristãos gentios, juntamente com o que foram investidos de todos os privilégios do 'povo escolhido de Deus'; e nada podia cortá-los destes senão a sua própria apostasia voluntária. Não parece que nem mesmo os homens bons tenham sido chamados eleitos de Deus senão mais de dois mil anos depois da criação. O eleger ou escolher Deus a nação de Israel, separando-a das outras nações mergulhadas na idolatria e em toda maldade, deu a primeira ocasião a este tipo de linguagem. E, como a separação dos cristãos dentre os judeus foi evento semelhante, não admira que fosse expressa em palavras e frases semelhantes — apenas com esta diferença: o termo 'eleito' era antigamente aplicado a todos os membros da igreja visível, ao passo que no Novo Testamento se aplica somente aos membros da invisível.

Nota do editor

Nota editorial: a eleição, nesta leitura, é primariamente corporativa e histórica (Israel; depois, a igreja), e o que corta alguém dela é 'a sua própria apostasia voluntária' — não um decreto de preterição. Compare-se com a nota de Wesley em At 13.48.

Temas: eleicao

Romanos 8.34 §

Nota de John Wesley

Antes, que ressuscitou — A nossa fé não deve parar na sua morte, mas exercitar-se adiante, na sua ressurreição, no seu reino, na sua segunda vinda. Que intercede por nós — Apresentando ali a sua obediência, os seus sofrimentos, as suas orações e as nossas orações santificadas por meio dele.

Temas: intercessao

Romanos 8.35 §

Nota de John Wesley

Quem nos separará do amor de Cristo — Para conosco? Será tribulação ou angústia — Ele prossegue em ordem, de aflições menores a maiores: pode alguma destas separar-nos da sua proteção nelas e, se ele achar bom, do livramento delas?

Romanos 8.36 §

Nota de John Wesley

Todo o dia — Isto é, cada dia, continuamente. Somos considerados — Pelos nossos inimigos; por nós mesmos. (Sl 44.22.)

Romanos 8.37 §

Nota de John Wesley

Somos mais que vencedores — Não somente não perdemos nada, mas ganhamos abundantemente com todas estas provações. Este período parece descrever a plena certeza da esperança.

Temas: vitoria

Romanos 8.38-39 §

Nota de John Wesley

Estou persuadido — Isto se infere do v. 34, em ordem admirável: nem a morte nos ferirá, pois Cristo morreu; nem a vida, pois ele ressuscitou; nem anjos, nem principados, nem potestades, nem o presente, nem o porvir, pois ele está à direita de Deus; nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura, pois ele intercede por nós. Nem a morte — Terrível como é para os homens naturais; em particular a morte violenta (v. 36). Nem a vida — Com toda a aflição e angústia que pode trazer (v. 35); ou uma vida longa e fácil; ou todos os viventes. Nem anjos — Sejam bons (se fosse possível que o tentassem), sejam maus, com toda a sua sabedoria e força. Nem principados, nem potestades — Nem mesmo os da mais alta ordem ou do mais eminente poder. Nem o presente — O que pode sobrevir-nos durante a nossa peregrinação; ou o mundo inteiro, até que passe. Nem o porvir — O que pode ocorrer quando o nosso tempo na terra houver passado, ou quando o próprio tempo chegar ao fim, como o juízo final, a conflagração geral, o fogo eterno. Nem altura, nem profundidade — A sentença anterior respeitava às diferenças de tempos; esta, às de lugares. Quantas coisas grandes e várias se contêm nestas palavras, não sabemos, não precisamos saber, não podemos ainda saber. A altura — No estilo sublime de Paulo, está pelo céu. A profundidade — Pelo grande abismo. Isto é: nem as alturas — não digo de muralhas, montanhas, mares, mas do próprio céu — podem mover-nos; nem o próprio abismo, cujo simples pensamento poderia espantar a mais ousada criatura. Nem qualquer outra criatura — Nada abaixo do Todo-Poderoso; os inimigos visíveis, ele nem se digna nomeá-los. Poderá separar-nos — Seja pela força (v. 35), seja por qualquer reivindicação legal (v. 33ss). Do amor de Deus em Cristo — Que certamente salvará, protegerá e livrará, em, através e de todas essas coisas, a nós, os que cremos.

Nota do editor

Nota editorial: observe-se a precisão: nada externo — nenhuma criatura, poder ou circunstância — pode separar o crente do amor de Deus. Wesley, coerente com Rm 8.30 e 11.22, entende que esta certeza gloriosa não anula a advertência contra a apostasia voluntária: ninguém nos arranca; mas nós mesmos somos exortados a permanecer (Jo 15.4-9).

Temas: segurancaamor

Ler o texto bíblico completo ↗