E sabemos — Isto em geral, embora nem sempre saibamos particularmente o que pedir. Que todas as coisas — Alívio ou dor, pobreza ou riqueza, e as dez mil mudanças da vida. Cooperam para o bem — Forte e suavemente, para o bem espiritual e eterno. Daqueles que são chamados segundo o seu propósito — O seu gracioso desígnio de salvar um mundo perdido pela morte do seu Filho. Esta é uma nova proposição. Paulo, estando prestes a recapitular toda a bênção contida na justificação (chamada 'glorificação' no v. 30), primeiro remonta ao propósito ou decreto de Deus, frequentemente mencionado na Escritura sagrada. Para explicar isto um pouco mais amplamente (quase nas palavras de um eminente escritor): quando um homem tem diante de si uma obra demorada e importante, ele faz pausa, consulta e planeja; e, tendo traçado um plano, resolve ou decreta proceder de acordo. Tendo observado isto em nós mesmos, estamos prontos a aplicá-lo também a Deus; e ele, em condescendência conosco, o aplicou a si mesmo. As obras da providência e da redenção são vastas e estupendas, e por isso tendemos a conceber Deus como deliberando e consultando sobre elas, e então decretando agir segundo 'o conselho da sua própria vontade' — como se, muito antes de o mundo ser feito, ele tivesse combinado medidas quanto ao fazê-lo e governá-lo, e então escrito os seus decretos, que não se alterariam mais do que as leis dos medos e persas. Ora, tomar este consultar e decretar em sentido literal seria absurdo igual ao de atribuir ao Deus eternamente bendito um corpo humano real e paixões humanas. Trata-se apenas de uma representação popular do seu conhecimento infalível e da sua sabedoria imutável; isto é, ele faz todas as coisas tão sabiamente quanto um homem possivelmente faria após a mais profunda consulta, e prossegue tão firmemente no método mais adequado quanto alguém que houvesse traçado um esquema de antemão. Mas, embora os efeitos sejam tais que argumentariam, no homem, consulta e decretos consequentes, que necessidade há de um momento de consulta naquele que vê todas as coisas num só olhar? Nem teve Deus mais ocasião de pausar e deliberar, e estabelecer regras para a sua própria conduta desde toda a eternidade, do que tem agora. Havia acaso temor de que errasse depois, se não tivesse preparado de antemão decretos para dirigi-lo no que devia fazer? Dirá alguém que ele era mais sábio antes da criação do que depois? Ou que tinha então mais vagar, para aproveitar aquela oportunidade de pôr em ordem os seus negócios e fazer regras para si mesmo, das quais nunca se desviaria? Ele tem, sem dúvida, hoje a mesma sabedoria e todas as demais perfeições que tinha desde a eternidade; e está agora tão capaz de fazer decretos — ou, antes, não tem mais ocasião para eles agora do que antes: sendo o seu entendimento sempre igualmente claro e brilhante, a sua sabedoria igualmente infalível.