Desde 1.22 o apóstolo vem urgindo a prática cristã. Agora se dirige aos que a negligenciam sob pretexto de fé. Paulo ensinara que 'o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei'. Isto alguns já começavam a torcer para a própria destruição. Por isso Tiago, repetindo de propósito (vv. 21, 23, 25) as mesmas frases, testemunhos e exemplos que Paulo usara (Rm 4.3; Hb 11.17, 31), refuta não a doutrina de Paulo, mas o erro dos que dela abusavam. Não há, portanto, contradição entre os apóstolos: ambos entregaram a verdade de Deus, mas de maneira diferente, por tratarem com diferentes espécies de homens. Noutra ocasião o próprio Tiago advogou a causa da fé (At 15.13-21); e o próprio Paulo advoga vigorosamente as obras, particularmente nas suas últimas cartas. Este versículo é o sumário do que segue. 'Que aproveita?' desenvolve-se nos vv. 15-17; 'se alguém disser', nos vv. 18-19; 'pode essa fé salvá-lo?', no v. 20. Não diz 'se alguém tiver fé', mas 'se alguém disser que tem fé'. Aqui, portanto, fala-se da fé verdadeira e viva; mas noutras partes do argumento o apóstolo fala de uma fé morta e imaginária. Ele não ensina, pois, que a verdadeira fé possa subsistir sem obras, mas que não pode; nem opõe a fé às obras, mas aquele nome vazio de fé à fé real que opera pelo amor. Pode salvá-lo a fé 'que é sem obras'? Não mais do que pode aproveitar ao seu próximo.